O que é um Anã branca?
Uma anã branca é o núcleo exposto que sobra quando uma estrela como o Sol esgota o combustível e perde as camadas externas. Comprime até 1,4 massa solar numa esfera do tamanho da Terra, com densidades da ordem de uma tonelada por centímetro cúbico — e não lhe resta fusão alguma. É uma brasa.
Nada queima dentro de uma anã branca. O que a sustenta contra a própria gravidade é a pressão de degenerescência dos elétrons, um efeito puramente quântico: o princípio de exclusão de Pauli proíbe dois elétrons de ocuparem o mesmo estado, então eles resistem à compressão mesmo no zero absoluto. Daí uma propriedade estranha das anãs brancas: quanto mais massivas, menores.
Essa relação tem um teto rígido. Acima de cerca de 1,4 massa solar — o limite de Chandrasekhar, deduzido por Subrahmanyan Chandrasekhar em 1930 — a pressão de degenerescência perde para a gravidade e a estrela não sobrevive. Uma anã branca empurrada além desse limite roubando gás de uma companheira detona como supernova do tipo Ia, a explosão padronizada que permitiu medir a expansão acelerada do universo.
Deixada em paz, uma anã branca apenas esfria. Partindo de mais de 100 000 K, irradia seu calor residual por bilhões de anos, apagando-se do branco-azulado ao amarelo e ao vermelho. Conforme o interior esfria, os íons de carbono e oxigênio se travam numa rede cristalina — um núcleo sólido genuinamente semelhante ao diamante, confirmado pelas observações do Gaia em 2019. Com tempo suficiente, torna-se uma anã negra, fria e escura, mas o universo está longe de ser velho o bastante para que exista uma.
