O que é um Buraco negro de massa intermediária?
Um buraco negro de massa intermediária guarda entre cerca de 100 e 100 000 massas solares — bem mais pesado que qualquer coisa que uma única estrela possa produzir, bem mais leve que os gigantes dos centros galácticos. Por décadas essa classe foi uma lacuna gritante no censo, e confirmá-la foi um dos problemas mais difíceis da astrofísica moderna.
A lacuna importa pelo que implica sobre as origens. Buracos negros supermassivos já tinham bilhões de massas solares menos de um bilhão de anos após o Big Bang, o que é difícil de explicar por crescimento constante a partir de sementes estelares. Os de massa intermediária são o degrau natural: sementes formadas nos núcleos densos dos primeiros aglomerados estelares, crescendo por fusões e acreção até os monstros de hoje.
A evidência isolada mais forte chegou em 2019. LIGO e Virgo detectaram o GW190521, a fusão de dois buracos negros de cerca de 85 e 66 massas solares, que deixou um remanescente de cerca de 142 massas solares — bem dentro da faixa intermediária e solidamente medido. Outros candidatos vêm de fontes de raios X ultraluminosas como a HLX-1 e dos movimentos das estrelas em aglomerados globulares densos como Ômega do Centauro.
São difíceis de achar justamente pelo tamanho. São pequenos demais para dominar o centro de uma galáxia e grandes demais para serem notados pelo efeito sobre uma única estrela companheira, então costumam ficar quietos em aglomerados lotados e só se traem ao devorar algo ou ao se fundir. O modelo mostra um buraco de tamanho médio, com disco de acreção mais frio e largo e o primeiro indício de um jato polar.
